A miragem no sonho mostra água onde não há água, uma cidade no fim da estrada que some quando a pessoa chega perto, uma sombra de alguém que não está. A boca seca acompanha. O livro dos sonhos brasileiro põe essa ilusão no camelo, grupo 08, com o deserto e a sede. A água de verdade, rio, mar, lago, está no jacaré. A miragem não mata a sede. Ela imita a sede. Por isso não troca de grupo só porque parece líquida.
A miragem some, a conta não. 1729 termina em 29, camelo. 33 no fim seria cobra. 4531 acaba em 31 e 8032 acaba em 32, os dois nas casas 29, 30, 31 e 32. O animal da tabela nasce nesse fim. Nasce quando se lê uma milhar já sorteada. A visão do sonho não sorteia nada.
Miragem de água comenta uma vontade tão forte que a pessoa enxerga o remédio antes de tê-lo. Pode ser sede, pode ser dinheiro, pode ser uma reconciliação. Miragem de pessoa querida comenta saudade que fabrica vulto. Quando a pessoa estende a mão e o vulto desfaz, o comentário é o da decepção lúcida, ainda no camelo. Miragem que se confirma e vira oásis de verdade encosta na ficha do oásis, vizinha deste grupo.
A página não vende a visão como palpite disfarçado. Diz o grupo 08 e o limite: sonho não é resultado.
Acordar é, às vezes, a segunda decepção: a água da cozinha está lá, comum, na torneira, e não era aquela.