Sonhar com imitação é ver o próprio gesto repetido por outro, ou repetir alguém sem querer. A voz, o jeito de andar, a careta. A careta tem ficha no macaco e trata do rosto torcido. A imitação é mais larga: copia um modo de ser. No costume brasileiro, ela fica no macaco, grupo 17, animal que a leitura antiga associa a copiar e a exagerar.
65, 66, 67 e 68 são esse macaco. 5465 abre a série e fica nela. 5469 sairia para o porco. Copiar bem ou mal não altera a série. A série se consulta no fim de uma milhar que já saiu.
Ser imitado com graça comenta reconhecimento, um jeito tão marcado que o outro consegue repetir. Ser imitado para zombar comenta exposição. Imitar alguém querido comenta saudade ou admiração, a tentativa de trazer a pessoa de volta pelo gesto. O grupo não muda.
A página registra a tradição. Não indica aposta.
Copiar o andar de alguém é uma forma de saudade que o corpo entende antes da boca. Também pode ser zombaria. O macaco abriga as duas leituras, e o comentário separa uma da outra. O espelho às vezes devolve um gesto que a pessoa não reconhece como seu.