O cometa no sonho risca o céu e some antes que a pessoa consiga chamar alguém para ver. A cauda é longa, clara, e o resto da noite fica comum. A estrela tem página na águia. O céu também. O cometa fica no mesmo grupo 02, porque é coisa de olhar para cima, rara, que não se segura. Não é o relâmpago, que estala e assusta. O cometa passa em silêncio. Alguns cadernos tratam todo risco no céu como presságio fechado. Esta ficha não fecha: registra a passagem e o grupo.
1205 fecha em 05. 3607 fecha em 07. 8806 fecha em 06. O fim 09 já é burro. A cauda bonita não mexe nesses dois algarismos. Mexe o comentário, só.
Cometa visto sozinho comenta um instante que a pessoa não conseguiu dividir, beleza sem testemunha. Cometa que cai no quintal comenta o medo de que o raro chegue perto demais e quebre alguma coisa. Vários cometas numa noite só comentam excesso de sinal, a cabeça cheia de avisos que ela mesma inventa. A página não transforma o risco em previsão de sorteio.
O grupo 02 nomeia o que se olha no alto. A leitura acaba aí.
A pessoa acorda e abre a janela, quase à espera de um segundo risco. O céu da rua está sem cauda. O instante ficou na noite.