A neblina no sonho apaga a esquina que a pessoa conhecia. O poste vira um borrão, o carro aparece tarde, e o passo fica curto. A tradição popular põe essa cerração na águia, grupo 02, junto da nuvem e do vento. Alguns cadernos jogam toda névoa para a água. Nesta ficha a neblina é coisa do ar, do que se vê e do que se deixa de ver, e por isso fica com a águia, não com o jacaré.
A neblina não escolhe milhar: o fim é que escolhe. 2506 acaba em 06 e fica com a águia. Um fim 09 entregaria o burro. 7108 termina em 08 e 9405 termina em 05, os dois dentro das casas 05, 06, 07 e 08. Serve de exemplo em cima de um resultado que já existe. Não serve de ordem para ninguém marcar dezena.
Neblina na estrada comenta uma viagem em que a pessoa segue sem enxergar o próximo quilômetro. A estrada tem página no cavalo quando o tema é o caminho. Aqui o tema é o que tapa a vista. Neblina dentro de casa, no corredor, comenta confusão doméstica, um assunto que a família não nomeia. Neblina que abre de repente e mostra a rua comenta o alívio de entender, tarde, o que estava na frente.
Nada nesta página aponta casa de jogo. O sonho explica um limite da visão. O sorteio não entra na explicação.
O frio úmido fica na pele um instante depois do despertar. A pessoa esfrega o olho como quem limpa um vidro. O vidro era o próprio sonho.