O cofre no sonho pesa mais do que o dinheiro que possa haver dentro. A porta é grossa, a senha falha na hora, e a pessoa acorda com a mão ainda fechada. No costume brasileiro, esse móvel de aço vai para o avestruz, grupo 01, o mesmo grupo do dinheiro e do banco. Não é a nota achada na rua. A nota aparece sem dono. O cofre tem dono, fechadura e a decisão de não mostrar.
Quem pega a milhar 1401 e olha apenas o fim encontra 01, ainda avestruz; se o fim fosse 05, o nome passaria a ser águia. 6703 e 9204 seguem a mesma leitura, porque 03 e 04 também cabem no grupo 01. O começo da milhar, 14 ou 92, não entra na conta. A conta se faz num resultado que já saiu, nunca num número ainda por vir.
Cofre aberto e vazio comenta uma espera que não se cumpre: a pessoa girou a tranca e não havia nada. Cofre trancado, com a chave na própria mão, comenta cuidado e um pouco de desconfiança, até de si. Cofre alheio, no banco ou na casa de outro, comenta o limite de não mexer no que não é seu. A cena troca o comentário. O grupo 01 fica onde está.
Esta página conta a leitura antiga e para aí. Não recebe jogo e não anuncia qual final vai aparecer no próximo sorteio.
O rangido da porta de aço fica no ouvido depois que a pessoa acorda. Às vezes o sonho mostra o cofre e apaga o conteúdo. O que sobra é a pergunta quieta: o que eu estou guardando sem deixar ninguém ver.