O fiado no sonho é a caderneta do mercadinho, o pão que sai sem moeda na hora, o nome a lápis numa folha de orelha. A pessoa acorda com a sensação de dever uma coisa pequena e antiga, daquelas que não cabem em banco. Dinheiro, conta e salário estão no avestruz, grupo 1. O fiado fica com eles porque é a dívida miúda do dia, não o extrato e não o boleto impresso. Se o sonho era o gerente e a fila do caixa, olhe o banco. Se era o balcão da venda e o caderno, é o avestruz.
1802 termina em 02. 4403 termina em 03. 9101 termina em 01. 1805 termina em 05 e já é águia. O fiado não empurra esse final.
Fiado aceito com um sorriso fala de confiança de vizinhança: o pão não espera o dia do pagamento. Fiado recusado na porta fala de vergonha, a caderneta que fechou. Ver o próprio nome numa lista comprida de devedores fala do medo de que a conta pequena tenha virado fama no quarteirão. Pagar o atrasado e ver a folha rasgada fala de alívio concreto, um peso que sai do balcão.
A ficha não cobra ninguém e não indica jogo. O avestruz só dá nome a essa caderneta.
No dia seguinte a pessoa passa na venda e olha a caderneta sem precisar. O lápis do sonho ficou na memória, mesmo com o bolso em ordem.