O luto no sonho não precisa de enterro para ser luto. Pode ser uma roupa preta que a pessoa não lembra de ter vestido, uma casa quieta demais, um nome que ninguém diz em voz alta. A tradição brasileira põe o luto na borboleta, grupo 04, com a morte, o velório e o túmulo. Não é o mesmo que sonhar com a pessoa morta, ficha vizinha: ali o morto aparece. Aqui o que aparece é a falta, o tempo depois, o cômodo que ficou maior.
Olhe 1513 de trás para a frente só nos dois últimos: 13, borboleta. Se esses dois fossem 17, o nome seria cachorro. 4815 termina em 15 e 7616 termina em 16, ainda na faixa 13, 14, 15 e 16. O começo 48 ou 76 não muda o bicho. Muda, quando muito, qual milhar se usa de exemplo. O exemplo vale para resultado já sorteado, daqueles que a pessoa confere no jornal ou na tela.
Luto de alguém que está vivo comenta um medo de perda, não um acontecimento, e a página não lê isso como aviso do que vem. Luto antigo, de anos, comenta uma saudade que o cotidiano empurrou para o canto e a noite trouxe de volta. Luto em que a pessoa ri no meio da sala comenta o constrangimento de um sentimento que não cabe na hora, perto do velório, sem ser o velório.
Ninguém aqui marca jogo. A ficha acompanha uma leitura de gerações e deixa o sorteio quieto.
A roupa preta fica na memória mais do que o rosto. A pessoa acorda e estranha a cor da própria camisa, como se a noite tivesse tingido o tecido. Não tingiu. Só lembrou.