A gripe no sonho é o corpo pesado, a garganta raspando, o nariz que não deixa dormir. A pessoa se vê deitada de dia, com o cobertor até o queixo, e o relógio anda sem ela. A febre tem página no urso. A doença também. A gripe fica no urso, grupo 23, com o remédio e a cama, porque é o mal-estar comum, aquele que derruba e passa, diferente da cirurgia e do hospital grande. Se o sonho era a internação, olhe o hospital. Se o sonho era o espirro, a moleza, o chá na mesa de cabeceira, a ficha é esta. Não é preguiça moral. É o corpo pedindo parada.
2190 acaba em 90, urso. 93 seria veado. 92 aparece no final de 5492, 89 aparece no final de 8389, e o urso fica com a dupla. A faixa vai de 89 a 92. A pessoa confirma o animal no fim de uma milhar que já saiu. A gripe do sonho não é aviso de sorteio e não escolhe esses exemplos para serem jogados.
Gripe no meio de uma obrigação, prova ou viagem, comenta o medo de falhar por causa do corpo, um limite sem culpa. Gripe de alguém querido comenta a inversão do cuidado: quem sempre aguenta agora precisa de caldo. Gripe que não passa, semana após semana no sonho, comenta um cansaço maior do que um vírus, a vida pedindo cama. Melhorar no fim da cena comenta alívio simples. O urso permanece em todas.
A página não receita e não indica dezena. Descreve a moleza como o costume descreve, e para.
A pessoa acorda, engole em seco e confere a garganta. Na maioria das vezes está bem. O cobertor até o queixo era só da noite.