A entrevista no sonho tem cadeira dura, pergunta que a pessoa estudou e mesmo assim esquece, e um relógio na parede que anda alto demais. Há listas que mandam qualquer assunto de emprego para o dinheiro. Neste site o trabalho e a prova já estão no burro, grupo 03, e a entrevista fica com eles: é a hora em que alguém mede o que a pessoa sabe, não a hora em que o salário cai na conta. O salário tem ficha no avestruz. Aqui o aperto é o da avaliação.
Separe os dois últimos de 1809 e sobra 09, que é burro. O mesmo recorte em 13 deixaria de ser burro e viraria borboleta. 4411 termina em 11 e 7712 termina em 12, ainda nas casas 09, 10, 11 e 12. A milhar inteira não dá nome ao animal. Dá nome o fim. E só depois que o sorteio aconteceu.
Entrevista em que a pessoa chega atrasada comenta o medo de perder uma chance por um detalhe bobo: o ônibus, o cabelo, a porta errada. Entrevista em que a pessoa responde bem e vê o outro sorrir comenta um alívio que o corpo demora a acreditar. Entrevista com a roupa trocada encosta na vergonha. A nudez tem página no pavão se o tema for o corpo exposto. Se o tema for a prova oral, continua burro.
A ficha não arruma emprego e não sugere dezena. Descreve o sonho como o costume descreve, e fica nisso.
A boca seca permanece até o café. A pessoa repassa a resposta que não deu, embora ninguém tenha perguntado de verdade.