O estágio no sonho é crachá provisório, cafezinho que a pessoa não sabe se pode pegar, mesa emprestada no canto da sala. O trabalho e a escola estão no burro, grupo 3. O estágio fica com eles porque é o meio do caminho: já não é a prova da faculdade e ainda não é o emprego com nome na porta. Se o sonho era a carteira assinada e o salário, olhe o trabalho. Se era o crachá que vence no fim do semestre, é o burro.
1509 termina em 09. 4711 termina em 11. 8012 termina em 12. 1513 termina em 13 e já é borboleta. O estágio não empurra esse final.
Estágio em que a pessoa acerta a tarefa fala de um começo que cabe no corpo, alívio de servir para alguma coisa. Estágio em que ninguém explica o serviço fala de abandono educado, a sensação de estar sobrando na sala. Chefe que promete efetivar e some fala de esperança pendurada num corredor. Levar o próprio lanche e comer sozinho fala de um lugar que ainda não é casa.
A ficha não arruma vaga e não indica jogo. O burro nomeia esse crachá.
A pessoa acorda e confere a hora, como se o ponto ainda fosse bater. O escritório do sonho fechou com ela.