Sonhar com memória não é sonhar com um objeto. É sonhar com uma lembrança que volta inteira, ou com o buraco de uma lembrança que não vem. O rosto de um avô, o cheiro de uma casa antiga, um nome que está na ponta da língua e não desce. No livro brasileiro, a memória vai para o elefante, grupo 12, animal que a tradição associa à família e ao que se carrega por muito tempo. O avô tem ficha na vaca. A família tem ficha aqui, no elefante. A memória é o fio entre essas pessoas, não uma delas.
O elefante ocupa 45, 46, 47 e 48. 3946 guarda 46 na ponta, e 46 está com o elefante. 3949 termina em 49 e já é galo. A faixa tem quatro finais e acaba. As milhares desta página respeitam esse fim. Servem para treinar o olho em número conhecido. Um sonho não escolhe a milhar da noite seguinte, e esta ficha não finge que escolhe.
Lembrar com clareza comenta um passado que ainda orienta. Esquecer o que se queria lembrar comenta falha, angústia de quem procura e não acha. Lembrar contra a vontade, uma cena que volta sem ser chamada, comenta peso. O grupo permanece 12.
O texto é registro. Não indica jogo e não transforma saudade em previsão.