A fazenda no sonho é porteira, curral ao longe, cheiro de capim e de leite, e uma estrada de terra que a pessoa conhece sem saber o nome. Pode ser a fazenda de um avô. Pode ser uma que a pessoa nunca visitou e mesmo assim anda como dona. O pasto está na vaca, grupo 25, com o leite e a própria vaca. A fazenda fica com eles: é o lugar onde esse animal vive, não um bicho solto na cidade. Há listas que espalham cada animal da fazenda no grupo dele, e isso continua valendo. O boi tem página no touro. A galinha está no galo. O porco tem a dele. A fazenda, como chão e como casa de roça, permanece na vaca, porque o centro da leitura daqui é o pasto e o leite.
3199 termina em 99, vaca, e 7600 termina em 00, que a tabela não manda para o grupo seguinte: 00 continua vaca. O avestruz só entra no fim 01. 8498 acaba em 98, também na vaca, junto de 97, 99 e 00. A pessoa confere o fim de uma milhar já sorteada e acha o animal. A porteira do sonho não sorteia.
Fazenda próspera, com pasto verde, comenta abundância simples, a vida que dá o que a mesa precisa. Fazenda abandonada, mato na porteira, comenta uma herança largada, trabalho de família que ninguém continuou. Fazenda onde a pessoa se perde entre os currais comenta uma origem que ela não domina mais, o campo ficou grande demais. Visita de fim de semana comenta saudade organizada, a roça como passeio e não como ofício. O comentário muda com a porteira. O grupo 25 fica.
A página não avalia terra e não indica dezena. A vaca nomeia esse chão, e a leitura termina sem promessa.
A pessoa acorda com o cheiro de capim ainda no nariz. A cidade do lado de fora da janela desmente o sonho devagar, um carro de cada vez.