O chocalho no sonho faz um barulho fino, de bolinha presa, que a pessoa ouve antes de ver o bebê. Pode estar no berço, na mão pequena, ou perdido debaixo do sofá. O livro brasileiro dos sonhos deixa esse brinquedo no coelho, grupo 10, com o bebê e os outros brinquedos da primeira idade. Não é a música, que tem ficha no galo, nem a festa, que está no peru. O chocalho é um som doméstico, curto, feito para uma pessoa só.
O chocalho não muda de grupo porque o bebê cresceu no sonho. 2238 termina em 38, coelho. 41 seria cavalo. 5137 acaba em 37 e 9040 acaba em 40, os dois dentro de 37, 38, 39 e 40. O grupo 10 se reconhece por esse fim, numa milhar que já saiu e que alguém confere sem pressa. O barulho do sonho não escolhe o fim.
Chocalho que não para comenta uma demanda sem fim, o bebê ou o assunto que chama a cada cinco minutos. Chocalho quebrado, sem som, comenta um cuidado que perdeu o jeito, o gesto que não alcança mais a criança. Chocalho na mão de adulto comenta saudade da própria infância ou a vontade de tratar alguém com delicadeza excessiva. O comentário acompanha quem segura o objeto. O coelho permanece.
Não se joga a partir do chocalho. A página explica o grupo 10 e deixa o sorteio do lado de fora.
O tinido fino continua um instante no ouvido. A pessoa procura o brinquedo no chão do quarto e só acha o chinelo. O som era da noite.