Sonhar com álbum é folhear rostos parados. Foto antiga, página solta, um retrato que a pessoa não lembra de ter guardado. O retrato único tem ficha no elefante, e a fotografia como ato de bater a foto está no pavão. O álbum é a coleção, várias épocas no mesmo volume. No costume brasileiro, essa coleção fica com o elefante, grupo 12, porque a leitura liga esse animal ao que a família carrega por muito tempo.
45, 46, 47 e 48 nomeiam esse elefante. 5548 está no fim da faixa e ainda pertence a ele. 5549 pertenceria ao galo. Folhear devagar ou não achar a foto não muda o par de algarismos. O par se confirma num resultado que já existe.
Álbum completo comenta memória organizada, um passado que alguém cuidou de ordenar. Álbum com páginas arrancadas comenta uma pessoa que se quis tirar da história da casa. Não achar o próprio rosto no álbum comenta a sensação de ter ficado de fora da memória familiar. O grupo 12 permanece.
A ficha não aceita aposta e não liga o álbum a um sorteio.
A ordem das fotos mente um pouco: a vida não foi tão arrumada. O sonho folheia mesmo assim. O elefante guarda a coleção. O pavão guarda o instante em que a foto foi batida.